Falar de assuntos do Mar – ou, se preferirmos, dos oceanos – na realidade portuguesa actual implica, em minha opinião, clarificar 5 tópicos elementares: 1) que sentido faz? 2) evitar a solução fácil; 3) enfrentar a solução difícil; 4) estabelecer o conteúdo; 5) ultrapassar a tendência lírica espontânea. Que sentido faz? Faz um sentido de extremos, Com efeito: poderá revelar-se como uma fantasia, sem sentido; poderá manifestar-se como rasgo de visão estratégica portadora de futuro, com um sentido pleno. Importa evitar a solução fácil: desde logo, porque não seria uma solução, antes um mero devaneio; no essencial, porque essa abordagem se traduzirá por lamentar o estado de coisas e nada acontecer para a alterar. Sobre este ponto, bastará dizer que basta. Enfrentar a solução difícil é mais correcto e é aconselhável. Aqui, como em tudo na vida, tudo pode ser sistematizado no tríptico essencial de compreender /assumir /agir. Estabelecer o conteúdo é construir o quadro analítico sobre a temática geral do mar em que ele é encarado no que contém de realidade de conceito, de vivência e no que pressupõe de actuação política e no que induz de vida empresarial, uma e outra traduzindo a característica básica de as actividades ligadas ao mar constituírem um hypercluster, articulando múltiplos clusters no seu interior. Ultrapassar a tendência lírica espontânea não se traduz pelo apoucamento de palpitações poéticas, típicas da natureza humana – significa, tão simplesmente, adoptar a perspectiva racional, estratégica e política, assente nas realidades e alimentada pela motivação de serviço a Portugal. Presumindo que faz sentido; rejeitando a solução fácil; tendo presente o conteúdo; ultrapassando a tendência lírica, procurarei desenvolver algumas pistas sobre possíveis vias de concretização da solução difícil.
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